Deslivros:Meio-duendes, Irmãos da Chiquinha

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Cquote1.png Letra g 00i.JPGnomos não nascem do pé, Cquote2.png
Cquote1.png Gnomos não brotam do chão... Cquote2.png
Cquote1.png ...e a mente fluente é que é seu meio de reprodução. Cquote2.png
Música doida da banda Tihuana Frase de dois noiados Guilherme Kasper e Fabio Henrique Bernardo de Faria - agora acho que finalmente, está certo.


- Nããããõoo!!! Então era mesmo verdade! - a Chiquinha grita quase desmaiando no sofá floridinho da Dona Florinda, igual ao nome dela. O Chaves olhando pra ela, querendo ajudar , mas sem saber como, apenas expressa seu nervosismo sacudindo as mãos nervosamente, como se as esfriasse. O Quico com ares de dó, também não sabe o que fazer. Nhonho para de comer seus biscoitos(que o Chaves já comera metade), e diz gaguejando que talvez não seja tão ruim assim.

- Isso porque não foi você quem descobriu que tem meio irmãos, quer dizer, meio duendes - diz o Quico e a Chiquinha chora mais. Eles tentando acalmá-la.

-Por quê o papai não me contou antes..? - o Chaves vai pegar pra ela um copo d'água, mas trêmulo, derruba o copo no chão, o copo não se quebra, mas molha o chão todo. O Quico nem briga, pois está muito preocupado com a Chiquinha. Nisso escutam vozes do lado de fora, Florinda se despedindo do Mestre Linguiça.

- Vou contar isso pra minha mamãe.

- Não! - diz a Chiquinha - não quero que ninguém saiba.

- Talvez minha mamãe possa ajudar.

Cquote1.png Isso é uma calhúnia! Cquote2.png

- Ajudar em que? -diz o Chaves, com ar de desânimo - só se fosse pra ser madrinha dos duendes, até combinaria, mas... mas... - Nhonho ri, o Quico olha brabo pro Chaves. Quando dona Florinda entra, ainda com ar de múmia apaixonada, Quico respeita o pedido da Chiquinha, não contando nada, nem o motivo da reunião. Florinda acorda do transe apaixonado e então, coloca muito gentilmente, os amiguinhos do Quico pra correr espavoridos, mas faz um ar de que notou algo estranho com eles.

- Tesouro... ah, nada! - diz a mamãe do Quico, achando que são bobagens das crianças e, vai colocar suas flores num vaso, percebe o chão molhado, faz um gesto de impaciência e vai pegar um pano para enxugar o chão. Após enxugá-lo nota achando estranho, que as flores que estavam sobre a mesa, já estão no vaso, mas ela não as havia colocado ainda e, o Quico já havia ido pro quarto. Pensa que talvez ela tivesse colocado e se esqueceu.

Amanhece... O seu Madruga volta com o jornal do dia nas mãos, são cerca de dez da manhã... ele nota o Chaves sentadinho na escada, pensativo... Seu Madruga pergunta a ele se sabe porque a Chiquinha esteve tão chorosa durante a noite e ainda, acordou triste. O Chaves olha pra ele com ar de assustado ao invés de responder. Seu Madruga repete a pergunta sem obter resposta... Seu Madruga pergunta então, o que há com ele. Nisso o Quico aparece e também olha assustado, assim mesmo Dom Ramón vai até ele e pergunta o que deu neles... o Quico fica sem jeito, mas dá uma resposta:

- É por causa do senhor.

- Como por minha causa? O que foi que eu fiz? - Dom Ramón pergunta espantado, fechando o jornal e abrindo os braços de forma interrogativa. Dessa vez o Quico arregala os olhos, mas não de modo assustado, mas mostrando certa vergonha de responder:

- O... O que o senhor fez? - ele fala, mexendo no olho com o dedo indicador.

- Sim, você sabe o que foi que eu fiz pra ser culpado da Chiquinha, do Chaves e até de você mesmo, estarem estranhos? O Quico, que apesar de nunca falar pra sua mamãe quando o seu Madruga não lhe fez nada, deixando-o apanhar, mas sempre elucida melhor as coisas pro seu Madruga, disse de uma só vez, de forma acusativa:

- O senhor teve filhos com a Bruxa do 71! - e faz aquele gesto de e aí?; acusadoramente balançando a cabeça. Seu Madruga fecha as mãos e faz cara de chimpanzé raivoso, mas quando avança pro Quico, ele corre.

- Moleques! - diz o Seu Madruga. Nisso, chega a Dona Clotilde com a cesta e suas compras, o Chaves assim que a vê, também corre dali, ela apenas balança a cabeça e pergunta ao Seu Madruga o motivo dele estar brabo.

- É que... ah, sabe como são esses pirralhos - diz ele sem jeito.

- São apenas crianças, Seu Madruga.

- ...e o que conta de novo..?

Dona Clotilde ia responder, mas nota a Chiquinha, o Chaves e o Quico, com suas respectivas carinhas amontoadas atrás da parede, quando ela olha e, o seu Madruga acompanha seu olhar, eles batem as cabeças e correm para o outro pátio. Eles fazem ares de lamento e o Seu Madruga comenta:

Cquote1.png Churi, churin, flunflais... Cquote2.png

- Voltaram com aquelas bobagens de chamar a senhora de bruxa.

- Não se preocupe Seu Madruga, já disse que essas coisas entram por um ouvido e saem pelo outro.

No outro ouvido pátio Chiquinha, Chaves e Quico conversam, todos com aquele mesmo ar, entre lamento e preocupação, da noite anterior.

- Olhe Chiquinha, se o seu pai não se casou com a Bruxa até agora, então você não precisa se preocupar tanto - diz o Quico e quem responde é o Chaves, com a mão no ombro da Chiquinha:

- Você diz isso porque não é você quem tem irmãos duendes, soltos por aí.

- Chiquinha chora ao ouvir isso. Após se acalmar um pouco, comenta:

- Pode ser ainda pior porque meu papai teve duendes com a Dona Clotilde, sem se casar com ela, então ele está em pecado duplo.

- Pecado duplo? - pergunta o Quico.

- Claro, Quico - responde o Chaves - além de ter filhos com uma bruxa, já não escutou o padre dizer que ter filhos sem se casar é pecado?

- Ah, é mesmo... mas por que a cegonha os entregou pra dona Clotilde se eles nem se casaram? Começa uma certa discussão pra desvendarem isso...

No pátio principal, Seu Madruga e Dona Clotilde que haviam escutado aquelas insanidades, começam a falar a respeito, de onde teriam tirado as ideias disparatadas. Nisso chegam 3 crianças, aparentando entre 3 e 5 anos, vestidas com roupas verdes e orelhinhas pontudas, trazidas pelo carteiro Jaiminho, ele geme de cansaço...

- Aaah... essa é a entrega mais difícil de todas que já fiz... - Dona Clotilde, alegremente, vai abraçar as crianças.

- Seu Madruga tira o chapéu e olha pra frente coçando a cabeça, sem entender nada.

No outro pátio, os três escutam o barulho e, naquele modo sorrateiro que eles usam pra descobrir as coisa, espiam e, ao ver as crianças de verde, voltam para o outro pátio, correndo e sacudindo as mãos.

-Vocês viram?!? - a Chiquinha disse e o Chaves completou, abanando a cabeça:

- A Bruxa do 71 já nem tem mais vergonha de mostrá-los em público, antes ainda os mantinha em segredo.

- E, agora..? Nossa vila será conhecida como a Vila do Arco-Íris... Quico se lamenta e, em seguida, já meio brabo acrescenta cruzando os braços - e tudo culpa do seu pai, que tinha que ter filhos com a Bruxa do 71!

- Não Quico, na certa deve ter sido um feitiço. Pobre Seu Madruga... - o Chaves se lamenta,. A Chiquinha apenas chora.


Faixa labaredas00l10.JPG

Voltando ao outro pátio, a Dona Florinda está bastante contrariada e, a Dona Clotilde tentando explicar a ela que não há porque ficar braba. O Seu Madruga, aproveitando que estavam todos ocupados, foi ler seu jornal, mas não tão calmamente quanto deveria. Aquele dia se passou entre choros, conversinhas cochichadas e algumas cançõezinhas estranhas, vindas de algum lugar.

De tardezinha, estavam Chiquinha, Chaves, Quico, Nhonho e Pópis, dessa vez, reunidos no outro pátio. Chamaram também o Godinez, mas ele não pode ir, pois disse que ia treinar assobios mais altos com seu tio, que lhe faria uma visita naquele mesmo horário e era especialista nisso. Pensavam em uma solução de como expulsar de lá, a Bruxa do 71 com seus duendes que, em nada lembravam os Churin Churin Funflais(não eram tão estranhos a tal ponto), pareciam sim, crianças mesmo, com um certo ar de gnomos, provando que eram filhos dela com o Seu Madruga, pois eram apenas meio-duendes.

Cquote1.png Churi, churin, flunflais... Cquote2.png

Não queriam expulsar de modo malvado pois, afinal eram crianças mais novas do que eles... ou meio-duendes, meio crianças ou crianças duende... algo assim, mas eram sem dúvida, meio irmãos... ou meio duendes da Chiquinha. Quando estavam sugerindo ideias se é que isso é possível de repente o Nhonho que olhava para a fonte, sacode a cabeça rapidamente, pondo a mão no olho esquerdo, os outros olham pra ele espantados e perguntam se ele está chorando... ao que o Nhonho responde:

- Não, parece que alguém lavou meus olhos de fora pra dentro. Acham que o Nhonho deve estar louco e continuam a conversa, mas cai um vaso na cabeça do Chaves, que estava encostado perto da escada.

- Devem ter colocado na beirada, Pópis sugere com voz anasalada e, continuam a discussão.

- Ai! - de repente a Chiquinha dá um pulo, indagando se por acaso o cachorro Madruguinha ou o Satanás da dona Clotilde haviam voltado, pois alguém a havia mordido... então todos se olham desconfiados e, em silêncio, escutam risadinhas. Se aproximam uns dos outros, olhando ao redor, mais desconfiados e procurando algo. Entram então, no pátio, o Jaiminho e Dona Clotilde conversando e, eles todos saem correndo, dalí.

- O que deu neles? - Jaiminho pergunta.

- O Seu Madruga disse que voltaram a me chamar de Bruxa.

- ...mas quando foi que eles pararam de chamar? - Jaiminho pergunta. - Dona Clotilde olha pra ele séria e com gestos de impaciência:

- Me ajude a achar esses pestinhas, que está na hora de você os levar, e deixe de dizer bobagens.

No pátio principal o Quico diz:

- Está vendo Chiquinha, porque foi ter meios duendes como irmãos, até já te morderam.

A Pópis segurava o braço da Chiquinha a ajudando a lavar.

- Lave bem - o Chaves disse - baba de duende pode conter ingredientes mágicos e a Chiquinha se transformar em algum bicho.

- Será que eles comem gente?! - o Quico sugeriu assustado.

- CHIQUINHA! - Seu Madruga chamou - venha pra casa, que já está tarde!

Se despediram e o Chaves aconselhou a Chiquinha a passar algo como chá de cherimoia para quebrar o feitiço, pois ela poderia até se transformar em duende.

- ...mas você mesmo falou uma vez que a graça é virar algo bem diferente do que se é - Quico disse e quando a Chiquinha foi pegá-lo , ele entrou em sua casa, batendo a porta.

- CHI-QUI-NHA!!! - Seu Madruga chama, meio impaciente dessa vez.

- Estou indo papai! - a Chiquinha vai pra dentro, enquanto o Chaves se despede dela e em seguida, se benze. na manhã seguinte, a Chiquinha sai de casa e, Quico e Chaves olham pra ela com olhos arregalados, ela examina a si mesma e pergunta o que foi.

- Não sente nada estranho? - o Chaves pergunta.

Chiquinha faz beiço choroso e responde que não. Ao chegar perto dos dois amiguinhos, eles a examinam de cima abaixo procurando algum sinal estranho, mas não encontram nada. Nem por isso ficam tranquilos e, quando Dona Clotilde sai de sua casa cantarolando, repetem o gesto de correr pra longe, ela suspira e continua seu caminho, encontra Dona Florinda, que pergunta pondo a mão na cintura:

- Ainda está com aquele intuito desastroso?

- Nenhum intuito desastrosso Dona Florinda, acontece que... - Dona Clotilde explicava com o dedo indicador em riste, quando chega o Mestre Linguiça.

- Professor desastroso... digo, Professor Girafales..!

- Dona Florinda!

- Que desastre o Senhor por aqui... é... que milagre o senhor por aqui.

Etc... essa sequência, você já deve saber até em Código Morse.

Cquote1.png Churi, churin, flunflais... Cquote2.png

Pouco tempo depois, saem Dona Florinda e o Mestre Linguiça e, a Dona Florinda bate na porta da casa da Senhorita Clotilde. Ao sair, ela faz ar de descontentamento, mas Dona Florinda explica que foi se desculpar e, Dona Clotilde faz ar de surpresa.

- Sim, Dona Clotilde, o Professor Girafales me explicou a importância de seu ato. Ainda surpresa com a mudança de ideias, Dona Clotilde ia dizer algo, mas a Dona Florinda olha com ar de múmia estonteada apaixonado para o Professor Girafales e acrescenta:

- ... e o professor Girafales quer acompanhar isso de perto, por isso prometeu vir aqui todos os dias.

- Dona Clotilde dá um sorrizinho de Ah, entendi...

Nisso chega Jaiminho, reclamando de cansaço como no dia anterior, com os quatro pirralhinhos, nisso Seu madruga sai de sua casa.

- Apenas por curiosidade Dona Clotilde, são todos seus sobrinhos, como daquela vez em que você estava carregando sua sobrinha numa cesta, igual à uma abóbora... é... digo...

Dona Clotilde dá outro sorrizinho e diz:

- Não são meus sobrinhos, são órfãos que estou ensaiando para uma peça, a pedido do prefeito.

Nisso, Chaves, Chiquinha e Quico, que espiavam naquele modo totem, abrem a boca e indo ao outro pátio, começam a comentar - o Chaves fala:

- Eu disse, duendes não existem...

- Sim... e a cegonha não visita pessoas solteiras, Quico acrescenta - bem, só em alguns enganos - ele completa fazendo gestos explicativos com as mãos e os outros dois concordam.

- Além disso - diz o Chaves - aquelas crianças são como eu, bonitas, não poderiam ser filhos de quem pensamos.

- ...da Dona Clotilde. - Chiquinha completa.

- Não, do seu papai. - o Chaves respondeu e a Chiquinha saiu correndo atrás dele, o Quico riu, mas em seguida deu um pulo porque alguém o havia mordido - ele, sem ver ninguém, se vai reclamando e, o Seu Madruga e a Dona Clotilde, que estavam escondidos, saíram do corredor rapidamente e, disfarçaram enquanto o Quico entrava em sua casa.

Se olham e então, antes da Dona Clotilde entrar na casa dela, pisca para o Seu Madruga, depois o chama de boneco. Ele se benze, depois dá uma risadinha e vai ler o jornal.


Cquote1.png Moral da História: Sempre duvide da origem de filhotes, mesmo duendes, a não ser que o DNA confirme. Cquote2.png

Isso não é moral que se preze, eu sei amigão, mas é só pra lembrar você de se precaver, ao menos use camisinha que preste.


Cquote1.png Basta! Não sabe o que é, basta?!?! Cquote2.png